Reajuste de Plano de Saúde: o que é normal e o que é abusivo
Reajuste de plano de saúde tem duas partes: a anual e a por faixa etária. E existe uma diferença importante entre individual e empresarial que quase ninguém explica antes de você contratar.

Todo ano, na mesma época, chega a notícia: o plano de saúde vai reajustar. E o valor às vezes assusta. Antes de decidir qualquer coisa — trocar de plano, ligar reclamando pra operadora, ou simplesmente pagar calado — vale entender por que isso acontece e o que é normal, o que não é.

Por que o plano de saúde reajusta todo ano

Existem dois tipos de reajuste, e é aqui que mora a maior confusão:

Reajuste anual por variação de custos. Todo plano de saúde reajusta uma vez por ano, porque o custo de exames, consultas, internações e materiais sobe. Isso vale para qualquer plano, individual ou empresarial.

Reajuste por faixa etária. Além do reajuste anual, o valor do plano também sobe quando o beneficiário muda de faixa de idade. A regra (Resolução Normativa 63 da ANS, para contratos a partir de 2004) define 10 faixas etárias, e a última faixa não pode custar mais do que 6 vezes a primeira.

A diferença que a maioria não te conta: individual x empresarial

Aqui está o ponto mais importante, e o motivo pelo qual não dá pra escolher um plano só olhando o valor da mensalidade de hoje:

Plano individual ou familiar tem o percentual de reajuste anual definido e divulgado pela própria ANS. Existe um teto. Você sabe, no máximo, quanto aquele reajuste pode ser.

Plano coletivo empresarial (inclusive MEI e adesão) não tem teto da ANS. O reajuste é negociado entre a operadora e a empresa contratante, com base na sinistralidade daquele grupo — ou seja, o quanto aquele grupo específico gastou no ano. Isso quer dizer que o plano empresarial costuma entrar mais barato no começo, mas o reajuste pode ser bem mais alto do que o do individual, sem limite fixo.

Não é motivo pra descartar o empresarial — pra muita gente, principalmente MEI e pequenas empresas, ele continua sendo a opção mais em conta mesmo com essa variável. Mas é uma informação que você precisa ter antes de contratar, não depois que o boleto chegar mais caro do que esperava.

O reajuste que você recebeu é abusivo?

Se o plano é individual ou familiar, o primeiro passo é conferir se o percentual aplicado é o mesmo que a ANS autorizou para aquele ano e aquela operadora — essa informação é pública, no site da ANS. Se for empresarial, não existe um número de referência único pra comparar, porque cada contrato negocia separado; o que dá pra fazer é pedir pra operadora justificar a sinistralidade usada na conta.

Uma coisa que eu preciso deixar clara: eu, como corretor, oriento sobre o que é normal e ajudo a entender a fatura e a negociar ou trocar de plano. Se o caso for de reajuste realmente fora da regra, o caminho de contestação formal é com a própria ANS ou com um advogado — essa parte não é comigo, e eu prefiro te dizer isso do que fingir que resolvo algo que não é da minha área.

O que dá pra fazer diante de um reajuste alto

Antes de simplesmente aceitar o novo valor ou cancelar sem mais, existe o caminho da portabilidade de carências: trocar de operadora sem cumprir carência de novo, respeitando algumas regras (tempo mínimo no plano atual, plano de destino compatível, entre outras). Muita gente nem sabe que esse direito existe.

Se você recebeu um reajuste e quer entender se faz sentido continuar no plano atual, migrar de operadora ou repensar entre individual e empresarial, me chama no WhatsApp e eu te ajudo a olhar isso com calma, sem custo pela orientação.

Corretor independente. Não somos operadora. Contratações sujeitas às regras da ANS e à análise de cada operadora.

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